A geração da catástrofe: como serão os novos professores?

Em tempos de pandemia, é quase impossível citar um grupo social que não tenha sido afetado direta ou indiretamente por essa nova realidade. Muito já se especulou sobre os impactos que o distanciamento social provocou na educação, nos calendários pedagógicos, na alfabetização e na aprendizagem dos alunos. Evitando essas repetições, seria interessante pararmos para pensar em como o modelo de ensino no Brasil passará por reformulações, principalmente no que diz respeito ao papel do professor em sala de aula.


Em termos gerais, o cenário é catastrófico. Se levada em conta toda a perda pedagógica que teremos de lidar nos próximos anos, em razão dos ensinos emergenciais e dos ajustes improvisados para manter as aulas rodando, pode-se concluir que os professores terão muito mais trabalho que os próprios alunos. E por mais que a tendência geral seja ignorar essa realidade e seguir em frente como se tudo tivesse funcionado bem, quando o ambiente presencial estiver totalmente restaurado, não será exatamente como antes.


A experiência histórica elucida uma predisposição humana em tentar retornar ao estado anterior após uma contingência. Talvez isso ocorra com aqueles professores mais experientes, com anos na carreira docente. Por outro lado, a nova leva de licenciandos que começarão a atuar em sala de aula não terá a mesma sorte. É neste ponto que está o problema - ou a solução -, pois novas práticas de ensino podem surgir a partir dessa nova realidade. São novos alunos, mais conectados do que antes e com um desinteresse ainda maior pelos métodos tradicionais.


Em poucos meses lecionando, passei a utilizar recursos didáticos que, para o meu mundo estudantil de 5 anos atrás, eram inéditos, mas para meus alunos já beiram o obsoleto. Em muitos casos, eles dominaram mais rápido que os professores os meios de desenvolvimento da aula, e isso mostra, como eu já havia mencionado na última reflexão, que cada vez mais o professor deixa de ser o único detentor de conhecimento na sala de aula. Para os mais atentos nesse processo pode até soar como uma obviedade, porém é necessário estar sempre reafirmando a importância de criar um novo perfil profissional para a carreira docente, que esteja conectado com uma infinidade de ferramentas tecnológicas e recursos virtuais.


A escola do futuro. Por essa razão, gosto de acreditar que a mudança será "natural", já que neste momento não podemos esperar muitos direcionamentos nos assuntos da educação. Mesmo nos momentos mais difíceis e turbulentos é possível encontrar saídas que levem a novos recomeços.



As opiniões emitidas neste artigo não correspondem necessariamente àquelas do site.

 

Por Ismael Rodrigues

Graduando em história pela Universidade Federal de Goiás e professor em formação pela Rede de Ensino Elite. Escreve sobre as experiências e expectativas na carreira docente.

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