A Oresteia de Ésquilo: a vingança familiar pós-guerra.


A trilogia de Ésquilo (Agamémnon, Coéforas e Euménides) perdurou séculos e redesenhou o que se entende por direito. A tragédia grega ordenou que se fizesse um tribunal para julgar as ações de Orestes em Oresteia, a justiça saindo do mito para a realidade palpável.


O início da trilogia apresenta a ação de Agamémnon ao deixar a Grécia e invadir Tróia, com o objetivo de recapturar Helena, sua cunhada e esposa de Menelau, das mãos de Páris, filho do rei Príamo. Essa ida mitológica por cerca de dez anos, período que durou a guerra de Tróia, custou para Agamémnon sua filha Ifigênia, - sacrificada para que os ventos na viagem de ida do guerreiro estivessem favoráveis durante a navegação.


Cliptemnestra, esposa de Agamémnon, possuída pela ira de ter sua filha morta em sacrifício pelo marido, mata-o com ajuda do amante, Egistro. Orestes, filho de Agamémnon, tem a difícil tarefa de fazer justiça por seu assassinato. Com a proibição de matar alguém da própria família de um lado da balança e cabendo ao filho vingar a morte do pai de outro, não foi fácil para Orestes decidir por matar sua mãe. Essa ação que envolve mito e nos traz tons de realidade iniciou uma guerra também no tribunal.


A situação do filho de Agamémnon era delicada porque o matricídio era considerado um gravíssimo crime. Orestes pediu o apoio de Apolo, que decidiu por advogar em seu favor. O tribunal contou com a participação de 12 cidadãos atenienses e foi presidido pela deusa Palas Atena. A acusação coube a três seres sobrenaturais chamados Erínias, as mesmas que também seriam responsáveis pela punição do crime.

O tribunal não conseguiu alcançar um veredicto, ficando o júri dividido em meio a meio. Coube então a Atena desempatar, decidindo pela inocência de Orestes. Considerou que sua atitude fora motivada pelo senso de justiça pela morte iníqua do pai.


A leitura da Oresteia de Ésquilo, assim, permite-nos refletir acerca de diferentes questões e valores ainda cotidianos, porque fazem parte da vida humana em sociedade. A importância da justiça, a condenação da vingança, os dilemas morais entre o certo e errado mesmo em circunstâncias extremas, a tudo isso adereça a obra, reforçando a necessidade de leitura dos clássicos na contemporaneidade.


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Por Cleiton Fergs

Bombeiro Militar no estado do Paraná, graduado em Licenciatura em História, curioso em leitura dos clássicos, leia-se para clássicos: "textos atemporais". Admirador dos grandes feitos do homem.


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