A Vida de Napoleão Bonaparte – Parte 4: Ápice

Introdução

Em 5 de maio de 1821, morreu Napoleão Bonaparte. Não é de se espantar que o bicentenário de sua morte seja marcado por uma espécie de “re-interesse” por este importante personagem, seja nos noticiários, nas conversas ou mesmo nas provas de concursos.


Para aproveitar o “timing”, decidi fazer uma série de textos narrando a vida desta figura, ora amada, ora odiada, mas certamente ímpar. Os adjetivos para descrevê-lo variam dependendo de quem conta a história, indo de “Salvador da Revolução” a “déspota sanguinário” (com o bom, velho e anacrônico “proto-Hitler” não falhando em aparecer).


Apesar dos eventuais juízos de valor, Napoleão foi um divisor de águas na história do mundo, alterando o rumo dos eventos do Brasil à Ásia. Esta afirmação vai além da questão militar ou política: o pensamento Europeu jamais seria o mesmo. A própria estruturação da “ciência militar” como a conhecemos deve suas origens ao “fenômeno napoleônico”. Para além da teoria, Napoleão foi transformado até mesmo em referência cultural, aparecendo no hino da Polônia ou como personagem literário em “Guerra e Paz”.


Não obstante sua importância, pouco se aprende sobre como de fato foram a vida e os atos concretos de Napoleão, o homem de carne e osso. É isto que iremos explorar por aqui. Este texto vai do início do Primeiro Império Francês ao fim da Guerra da Quarta Coligação.


Napoleão I: Imperador dos Franceses


Instauração do Império

Ser proclamado Imperador em uma pequena cerimônia é uma coisa; fazer valer essa proclamação é outra coisa completamente diferente. Não era apenas o sistema político nominal que precisaria ser alterado: toda a cosmovisão francesa - recém saída da Revolução - deveria também acompanhar a transição.


Sem dúvidas, seu maior problema era o exército. Seria difícil vender a ideia de um retorno monárquico ao que essencialmente ainda era o Exército Revolucionário. Para a sorte de Napoleão, entretanto, vários dos comandantes republicanos “linha-dura” (para citar alguns: Kléber, Joubert, Moreau, etc.) estavam ou mortos ou fora do jogo político.


Quanto aos poucos que restavam, Napoleão teve uma ideia para matar dois coelhos com uma cajadada só: ao mesmo tempo em que atrairia, com a promessa de um novo nível de prestígio, o apoio de generais competentes (mas pouco entusiasmados com o novo regime), seria criada a nova aristocracia militar francesa, representativa dos valores do Império. No dia seguinte ao ser proclamado Imperador, Napoleão elevou dezoito generais - dentre aliados e detratores - ao título de “Marechal do Império”.


Marechais do Primeiro Império Francês. Na Promoção do 19 de maio de 1804 (por ordem de antiguidade): Berthier, Murat, Moncey, Jourdan, Masséna, Augereau, Bernadotte, Soult, Brune, Lannes, Mortier, Ney, Davout, Bessières, Kellerman (pai), Lefebvre, Pérignon e Sérurier. Os demais na foto seriam promovidos posteriormente


E o que isso tinha a ver com os valores do Império? Acontece que o título de “marechal” não era propriamente militar, mas honorífico. Vejamos as origens de alguns dos agraciados: em um extremo temos Louis-Alexandre Berthier, oriundo de família antiga e oficial no exército real de Luís XVI; do outro extremo, pode-se ver o caso de Jean Lannes: filho de um mercador, Lannes não recebeu praticamente nenhuma educação formal, mas provou sua competência durante a Revolução. Fica clara, então, a mensagem do Império: a nova aristocracia era baseada no mérito, independentemente das origens. Esta noção de mérito deveria, ao menos em teoria, permear toda a sociedade - não apenas o exército - com o próprio Napoleão fornecendo o maior exemplo.


“Todo soldado carrega um bastão de marechal na mochila” - Dito popular sobre a possibilidade de ascensão social no Império.

Outra mudança no exército foi a criação da célebre Guarda Imperial, uma unidade de elite dedicada à proteção do Imperador, inicialmente contando com 8 mil homens. A Guarda seria usada decisivamente mais de uma vez em batalhas futuras.


A Guarda Imperial: elite do Exército Francês e ponto recorrente na criação do Mito Napoleônico


Havia ainda a questão da simbologia nacional: onde já se viu Império sem símbolos? Bonaparte, após deliberação com seus conselheiros, escolheu dois: para o Império, seria adotada a águia com as asas abertas, relembrando Carlos Magno e o Império Romano; já para a símbolo pessoal de Napoleão foi escolhida a abelha, ligada à Dinastia Merovíngia. É desta época também a primeira distribuição de medalhas da Legião de Honra, a nova ordem nacional francesa, destinada a recompensar serviços - sejam militares ou civis - prestados à pátria. A mensagem dada pela reintrodução das ordens nacionais era clara: saía-se do espírito repúblicano revolucionário e retornava à monarquia. Com a Legião de Honra, vemos mais uma vez o motif de “mérito” que embasava a cosmovisão do Império.


Por outro lado, a República não foi completamente jogada na lixeira, uma vez que ela era necessária para justificar a própria chegada de Napoleão ao poder. Escolher o Chant du Départ como hino do Império, por exemplo, é uma prova clara de que certos aspectos do velho regime - sobretudo a idealização da República e o que pode ser chamado de “ideal republicano” - seriam guardados, transformando o Império Napoleônico em um ente sui generis no campo da história e da filosofia política.


Estabelecida em 1802, a primeira distribuição de condecorações da Ordem da Legião de Honra ocorreu em julho de 1804, no Hôtel des Invalides. A Legião de Honra ainda é a mais alta honraria francesa


Finalmente, havia a questão de uma coroação formal, cujos preparativos começaram antes mesmo que os resultados do (nada fraudado) plebiscito sobre a mudança para o Império fossem anunciados. Em acordo com o Papa Pio VII - cuja presença era necessária para ligar o Império Francês aos grandes Impérios cristãos do passado - a cerimônia foi marcada para o dia 2 de dezembro de 1804, na Catedral de Notre-Dame de Paris. Curiosamente, o Papa impôs uma condição bem particular à sua presença: Napoleão e Joséphine deveriam se casar segundo os ritos católicos (para além da cerimônia civil realizada em 1796), o que foi feito em 1o de dezembro, véspera da coroação.


No dia 2 de dezembro, como planejado, ocorreu a cerimônia de coroação de Napoleão I, que contou com a presença de autoridades civis e militares, cientistas do Institut de France, dignitários estrangeiros, dentre outros. Às 11h45 da manhã, Napoleão e Joséphine entraram na Catedral de Notre-Dame.


É bastante conhecido o fato de Napoleão ter colocado a coroa sobre sua própria cabeça, gesto que representa o triunfo absoluto do self-made man. De fato, ele estava usando duas coroas no dia: uma coroa de louros, lembrando o Império Romano, e a coroa que levantou sobre sua cabeça, uma réplica daquela usada por Carlos Magno. Após sua auto-coroação, Napoleão também coroou Joséphine, ato que foi seguido por uma bênção papal.


“Eu juro preservar a integridade do território da República; respeitar e garantir o respeito às leis da Concordata, da liberdade de crença, da liberdade política, da liberdade civil e da irreversibilidade de venda dos biens nationaux; não aumentar impostos exceto em virtude da lei; manter a instituição da Legião de Honra; e governar apenas segundo o interesse, o bem-estar e a glória do povo francês” - Juramento de Napoleão ao ser coroado.

Acima, o célebre quadro de Jacques-Louis David sobre a coroação


Terceira Coligação

Paralelamente a esta transição, é importante lembrar que a Guerra da Terceira Coligação - declarada pelo Reino Unido em maio de 1803 - ainda estava comendo solta, e não era da personalidade de Napoleão deixar os assuntos militares para lá. Logo após a declaração de guerra, Napoleão ordenou a ocupação do Eleitorado de Hanôver, terra do rei Jorge III.


Apesar do nome dado à guerra, ainda não havia uma coligação montada contra a França: o único país a ter declarado guerra foi o Reino Unido. Essa situação fornecia à França - que sempre encontrava-se lutando em múltiplas frentes - a chance rara de focar suas forças contra um único inimigo. Começaram a ser concebidos planos de invasão das Ilhas Britânicas. Em junho, foram montados cinco grandes campos preparatórios para uma invasão naval.


Campo de Bolonha: um dentre os cinco montados por Napoleão para uma invasão naval do Reino Unido


Mesmo se o Exército Francês tivesse conseguido desembarcar no Reino Unido, haveria pouca chance de vitória (mas este ponto é debatido). De qualquer forma, cruzar o Canal da Mancha era uma impossibilidade, uma vez que a Marinha Francesa, ainda capenga após os expurgos promovidos na Revolução, não tinha a menor chance contra a Royal Navy, que se encontrava em ascensão meteórica desde os tempos de Edward Hawke. Tal era, inclusive, a opinião de todos os almirantes franceses. Assuntos navais, entretanto, sempre foram o calcanhar de Aquiles de Napoleão, e esse delírio de uma invasão continuaria a ser o foco da estratégia francesa durante um bom tempo, basicamente prendendo os dois oponentes em um impasse.


O equilíbrio precário seria quebrado logo após a coroação de Napoleão: em dezembro de 1804, o Reino Unido assinou um tratado militar com a Suécia. A esse seguiu-se, em abril de 1805, um tratado com a Rússia. Começava a tomar forma a Terceira Coligação. O meio que os britânicos encontraram para montar mais uma coligação contra a França foi simples: dinheiro. No caso russo, por exemplo, o governo de Sua Majestade pagaria 1.25 milhão de libras para cada 100 mil homens que o Tsar mobilizasse. O governo britânico conseguiu “mercenarizar” a Europa.


E onde estava a Áustria, o mais constante dos inimigos da França pós-Revolução? Primeiramente, em resposta ao novo status imperial da França, Francisco II - Imperador Romano-Germânico e Arquiduque da Áustria - decidiu declarar que a Áustria também seria doravante um Império (Nota pessoal: isso gera uma confusão dos diabos quando vamos estudar o período, pois o mesmo sujeito era Francisco II, Imperador Romano-Germânico, e Francisco I, Imperador da Áustria. Graças à confusão dos números, já passei um tempo sem saber que os dois eram a mesma pessoa). Para além da briga de títulos, a assinatura de alianças entre a França e Estados do Sacro Império Romano-Germânico não agradou Viena em nada.


Mas a cereja do bolo que acabou por atiçar novamente a ira Habsburgo foi uma alfinetada da parte de Napoleão: ao aceitar o título de Rei da Itália - região considerada um quintal austríaco - Napoleão foi coroado com a Coroa de Ferro da Lombardia, usada por todos os Imperadores Romanos-Germânicos desde Frederico Barbarossa. Depois de um insulto desses, a Áustria, em agosto de 1805, entrou para a Terceira Coligação.


Com a Áustria, a Rússia e a Suécia se preparando para atacar a França, Napoleão encontrou-se obrigado a mudar de estratégia


A situação impôs a Napoleão o abandono de seus planos de uma invasão do Reino Unido. Com a frota francesa, comandada pelo almirante Villeneuve, ancorada na segurança de Cádiz, Espanha (longa história), Napoleão fez os soldados na costa francesa darem meia-volta e partiu em direção à Europa Central, dando início àquela que seria sua campanha mais brilhante.


Uma das razões para a efetividade do Exército francês era a sua velocidade, possível graças ao sistema de corpo de exército introduzido por Napoleão. Cada corpo, comandado por um marechal, era um “mini-exército” independente, com sua própria infantaria, cavalaria, artilharia, transporte, etc. Dividindo dessa forma sua Grande Armée, Napoleão conseguia movimentar seus soldados rapidamente, pivotando-os ou concentrando-os caso surgisse a necessidade. Em 1805, esse sistema permitiu que nada menos que sete corpos de exército - totalizando 170 mil soldados - saídos da costa norte francesa chegassem às margens do rio Reno em 25 de setembro, um tempo impressionante.


Ao mesmo tempo em que o exército francês corria rumo ao leste, as forças austríacas e russas tomavam suas posições. Como parte da estratégia austríaca, 72 mil soldados sob o comando do general Karl Mack invadiram o Eleitorado da Baviera e capturaram a cidade fortificada de Ulm. O plano era aguardar reforços dos russos. Começava a Campanha de Ulm, primeira parte dos engajamentos militares da Guerra da Terceira Coligação.


As forças do general Mack em Ulm faziam parte do chamado “Exército da Alemanha”, sob o comando do arquiduque Ferdinando. O plano austríaco para a região era aguardar a chegada dos russos. A noroeste no quadrante B4: Ulm


Logo após cruzar o Reno, o sistema de corpos permitiu que Napoleão pivotasse seu exército, bloqueando a linha de retirada de Mack. Para impedir que a guarnição inimiga fugisse de Ulm enquanto Napoleão completava sua armadilha, tomando posições estratégicas em torno da cidade, a inteligência francesa, ajudada pelo (ironicamente) notório espião Schulmeister, realizou uma campanha de desinformação que acabou por confundir os austríacos. Quando Mack percebeu o erro, já era tarde demais: Ulm encontrava-se completamente cercada.


Sem a menor chance de resistência, Mack declarou a rendição de Ulm em 20 de outubro. De uma só vez, 20 mil soldados de infantaria, 3300 soldados de cavalaria, 59 peças de artilharia, 300 vagões de munição, 3 mil cavalos e 17 generais foram tirados das contas da Coligação, um golpe seríssimo. Claro que Napoleão inflou esses resultados nos boletins do exército e em suas cartas para casa - ele não sabia não inflar resultados - mas, de qualquer forma, a vitória em Ulm continua sendo uma de suas obras mais inspiradas.


A Rendição de Ulm, em 20 de outubro, foi uma derrota grave para a Terceira Coligação


Por uma ironia cósmica, o fim da Campanha de Ulm, um dos maiores sucessos de Napoleão, coincidiu com uma de suas piores derrotas: em 21 de outubro, ao largo do cabo de Trafalgar, a armada franco-espanhola foi obliterada pela Royal Navy. Napoleão só saberia do desastre quatro semanas depois.


A Batalha de Trafalgar enterrou para sempre a viabilidade de uma invasão francesa do Reino Unido. Mesmo assim, o Imperador - com sua pouca competência para assuntos navais - continuou a gastar quantias assombrosas de dinheiro, tempo e energia na busca de uma igualdade com os ingleses em número de navios, algo que nem mesmo importava.


A Batalha de Trafalgar representou com maestria a culminação de anos de reformas e inovações na Royal Navy


“Napoleão era o mestre da Europa, mas também era nela prisioneiro” - Bertrand de Jouvenel sobre o cenário pós Trafalgar

A verdadeira pergunta é: por que a Batalha de Trafalgar aconteceu? Mais para cima, afirmei que a frota francesa encontrava-se seguramente ancorada em Cádiz. A verdade é que ninguém sabe exatamente a resposta. Aponta-se uma mistura entre ordens confusas deixadas por Napoleão e um desejo do almirante Villeneuve de “mostrar serviço” como a causa da batalha.


A ideia de dar combate não era absurda: a frota combinada de franceses e espanhóis encontrava-se em vantagem contra os navios de Nelson. Os ingleses, entretanto, tinham de sobra algo que faltava aos seus inimigos: experiência. No fim do 21 de outubro, nem um único navio inglês fora perdido (em oposto aos vinte e dois navios inimigos capturados ou afundados). Os comandantes tiveram finais bastante simbólicos: Nelson, o genial almirante que insistia em usar suas brilhosas medalhas no uniforme, foi identificado e morto durante o combate por um atirador francês, tornando-se um mártir da causa inglesa; já Villeneuve, cujo ego levou à morte de mais de 4 mil marinheiros, acabou por suicidar-se em 1806.


Este foi o sinal içado no Victory de Nelson: “A Inglaterra espera que cada homem cumpra seu dever”


Napoleão encontrava-se em marcha rumo a leste para dar batalha ao Exército Russo, que agora recuava. Após a capitulação de Ulm, o caminho até Viena encontrava-se livre. Nas guerras anteriores, a mera ameaça à capital fora o suficiente para garantir a rendição dos austríacos. Desta vez, as autoridades simplesmente abandonaram a cidade, tomada pelos franceses em 13 de novembro. Napoleão transformou o Palácio de Schönbrunn em seu quartel-general. Poucos dias depois, o Imperador finalmente ouviu as notícias sobre a derrota em Trafalgar, instaurando uma censura completa sobre o assunto na imprensa francesa.


Napoleão recebendo as chaves de Viena. Foi a primeira vez desde o advento da Revolução que a capital Habsburgo caiu em mãos francesas


Deslocando-se ainda mais, Napoleão cruzou a fronteira da atual República Tcheca, capturando a cidade de Brünn (junto com as provisões ali contidas). Sua situação não era boa, pois a Grande Armée encontrava-se cercada: no sul, os exércitos austríacos remanescentes ainda combatiam as forças do marechal Masséna; no norte, os prussianos estavam cada vez mais ameaçadores; no leste, os soldados do general Kutuzov avançavam rapidamente. O avanço também foi custoso em número de soldados, deixados ao longo do caminho para proteger as linhas francesas de suprimentos e para ocupar as fortificações conquistadas. Em outras palavras: a fraqueza da metodologia de Napoleão era sua sensibilidade ao atrito. O Imperador precisava dar um fim rápido à guerra.


A longa marcha de Ulm a Austerlitz deixou os franceses em uma situação complicada. Autoria: Andrew Roberts


Foi saindo de Brünn que Napoleão viu aquele que seria o palco da maior vitória militar de sua carreira: um campo perto da então cidade de Austerlitz. Aquela posição seria perfeita para se entrincheirar e aguardar os russos, onde estes - segundo os planos do Imperador - seriam aniquilados.


“Senhores, examinem este terreno atentamente. Ele será um campo de batalha e vocês terão aqui um papel a desempenhar” - Napoleão para seu Estado-Maior ao ver o campo de Austerlitz

No lado inimigo, concentrado em Olmütz, as autoridades matutavam quanto ao que fazer. Os generais em Olmütz encontravam-se sob o comando pessoal dos Imperadores Francisco I da Áustria e Alexandre I da Rússia. Alexandre I favorecia tomar a ofensiva, indo contra os conselhos de seu principal comandante, o sexagenário general Kutuzov. Quando emissários austríacos - engenhosamente enganados por pequenos “teatros” armados por Napoleão - relataram aos seus superiores que a posição francesa era fraca, foi batido o martelo em favor de um ataque. O general austríaco Weyrother ficou encarregado de elaborar os detalhes do plano.


A estratégia de Napoleão foi simplesmente magnífica: fingindo fraqueza, ele atraiu os exércitos inimigos para um campo de batalha escolhido a dedo e onde, pouco a pouco (para não levantar surpresas), ele concentrou as forças francesas antes da batalha. Para adoçar ainda mais a armadilha e garantir um ataque dos aliados, Napoleão abandonou as colinas Pratzen, ponto estratégico central no campo de Batalha de Austerlitz.


Na noite do 1o de dezembro, véspera da Batalha de Austerlitz, Napoleão passou de acampamento em acampamento para verificar o estado de seus soldados. Ao ver o Imperador tropeçar em um tronco de árvore, um granadeiro decidiu acender uma tocha para iluminar seu caminho. Rapidamente, o gesto se propagou. À luz das tochas e sob gritos de “Vive l’Empereur!”, Napoleão terminou de verificar a preparação para os combates.


Depois de terminar os preparativos para o combate, Napoleão - acordado há mais de 24 horas - achou por bem tirar uma soneca


Na madrugada do 2 de dezembro, aniversário da coroação, as forças francesas tomaram suas posições em silêncio e escondidas por uma névoa espessa. Os soldados foram dispostos de tal forma a aparentar uma fraqueza no flanco direito do exército. Quando os aliados se lançassem contra esse ponto, Napoleão começaria um ataque para tomar as colinas Pratzen, partindo as forças inimigas ao meio.


A situação na véspera da Batalha de Austerlitz


Os aliados caíram na armadilha: às 8h da manhã, forças russas (que foram as mais ativas na batalha do lado aliado) deixavam as colinas Pratzen para atacar o flanco direito francês, que bravamente segurou sua posição. Às 10 horas, quando o sol dispersou a névoa, nada restou ao general Kutuzov além de observar horrorizado enquanto 24 mil franceses se lançavam contra as colinas Pratzen, partindo os aliados em dois. O quartel-general do Tsar Alexandre foi tomado às 11 horas.