O ensino de história conecta

Em um certo momento, penso que todo historiador, seja ele mais experiente ou ainda aspirante como eu, já deve ter posto sua própria história sob perspectiva para tentar definir em qual circunstância e por qual motivo decidiu seguir essa carreira. Lembro-me do meu primeiro dia em uma sala de graduação: a dinâmica consistia em explicar o motivo de se estar ali. As respostas eram variadas, mas era possível perceber que, de algum modo, a figura do professor estava sempre atrelada a essa escolha.


A relação entre alunos e professores não é um objeto pouco explorado por artigos e estudos pedagógicos. A importância é inegável e a grande maioria dos indivíduos já pôde experienciar essa realidade. No entanto, gostaria de refletir sobre essa relação dentro do âmbito do ensino histórico.


Em um dos capítulos introdutórios de A Era dos Extremos, Eric Hobsbawm afirma que “quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação com o passado público da época em que vivem”. Qualquer discussão em sala, ou uma breve conversa de corredor, que instigue os alunos à reflexão sobre a importância de se estudar o passado resulta em queixas e questionamentos sobre a necessidade de entender a realidade de outras sociedades, em outros tempos e espaços que não existem dentro do universo, às vezes limitado, de um aluno.


Nesse contexto, a atuação do professor é fundamental para auxiliar o aluno na aplicação de um sentido lógico e pragmático em cima daquilo que o estudante julga tão distante de si. O intento desse exercício não deve ser criar uma nova legião de pretendentes ao estudo histórico acadêmico, mas apenas alimentar uma articulação que o próprio aluno precisa fazer, queira ele explorar o caminho da história ou não, sobre a importância do passado.


O ensino de história precisa acompanhar as drásticas mudanças de comportamento dessa nova geração. Num cenário em que todos possuem um complexo interminável de informações na palma da mão, é fundamental organizar a produção de conhecimento. A fórmula tradicional que se construiu através de narrativas isoladas, conceitos e aplicação de exercícios gera cada vez menos interesse e banaliza cada vez mais a relevância do passado.


Finalmente, é preciso entender que a história conecta. É possível delimitar percursos que unam a metodologia histórica e a subjetividade de um grupo, ou de um aluno. O resultado é a confiança e a diligência do estudante em ampliar sua visão histórica, procurando estabelecer ligações com seu lugar no mundo. Cada vez mais sinto que tive o privilégio de ter encontrado mestres que puderam me conectar com esse caminho através de um compromisso permanente com a verdade histórica.



 

Por Ismael Rodrigues

Graduando em história pela Universidade Federal de Goiás e professor em formação pela Rede de Ensino Elite. Escreve sobre as experiências e expectativas na carreira docente.


75 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo