Por mais terras que eu percorra...

Falar sobre a Força Expedicionária Brasileira é sempre prazeroso, e digo mais, importante! Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Brasil se fez presente no Teatro de Operações do Mediterrâneo, mais especificamente na Campanha da Itália, contribuindo para a libertação daquele país e a vitória dos Aliados contra o Eixo. Mas nesse assunto tão vasto, irei me conter e falar inicialmente sobre as primeiras ações de combate da FEB, um tema pouco abordado.


As primeiras operações realizadas pela FEB se concentraram entre a planície que liga o litoral do Mar Tirreno e o Vale do Rio Serchio, região acidentada e próxima aos contrafortes dos Apeninos, também conhecido como Alpes de Apulia. A vitória inicial dos brasileiros levou a ganhos territoriais importantes, como também à conquista de Massaroza no dia 16 de setembro de 1944.


Brasileiros treinando com fuzis. Foi na primeira parte da campanha, ainda no Vale do Rio Serchio.


Vale destacar que essa ocupação de Massaroza deu-se, principalmente, à decisão audaciosa do comandante da 2ª Companhia do I/6º Regimento de Infantaria, Capitão Alberto Tavares da Silva, que fez uso de caminhões para acelerar o avanço, e realizou uma progressão em terreno minado, sob tiros da artilharia inimiga.


Na manhã de 18 de setembro, foi lançado de Massarosa um grupamento misto especial do I/6º Regimento de Infantaria, liderados pelo Capitão Ernani Ayrosa, com destino a Camaiore. Quando estava próximo da cidade, o oficial encontrou uma ponte destruída que impedia o avanço dos carros de combate norte-americanos. Naquela situação complicada, Ayrosa decidiu seguir com o restante do grupamento para a cidade, adentrando-a sob pesado fogo de artilharia e morteiros.


Camaiore foi conquistada no mesmo dia, sem grande oposição dos alemães que se retiraram diante da aproximação dos elementos avançados do grupo misto especial. A posse da cidade foi consolidada com o apoio da 7ª Companhia do III/6º Regimento de Infantaria, sob o comando do Capitão Álvaro Félix, deslocada para lá rapidamente em jipes e caminhões.


Vale do Rio Serchio (Bacia do Serchio)


No dia 23 de setembro, uma patrulha da 2ª Companhia, comandada pelo 2º Tenente Mário Cabral de Vasconcelos, realizou o reconhecimento do Monte Prana. Depois de uma caminhada exaustiva, conseguiu surpreender alguns alemães, ocasionando baixas ao inimigo, na cota 1096, situada cerca de 600 metros ao sul do monte. Seu retorno, no dia seguinte, foi realizado sofrendo um severo fogo de artilharia e morteiros, vindo de elementos da 42ª Divisão Ligeira alemã.


O comando da FEB autorizou um avanço pelo leste do Monte Prana, com o intuito de cortar as comunicações nazistas da cidade de Convalle, de onde saíam os suprimentos para aqueles soldados que estavam no cume. Outras patrulhas foram lançadas na direção da vila de Sant’Anna di Stazzema, mas se criou um impasse devido a posição dos alemães e o local acidentado. Apenas depois de realizarem diversos combates, a 1ª Companhia do 6º Regimento de Infantaria, finalmente ocupou o Monte Prana, uma manobra excelente da FEB, que então conseguiu adentrar a posição alemã na Linha Gótica.


Essa manobra, realizada em poucos dias, permitiu aos brasileiros cumprirem todas as diretrizes do 4º Corpo, e também a conquista de terrenos e posições que seriam úteis para as próximas operações. O General Mark Clark, comandante do V Exército dos Estados Unidos, citou elogiosamente a atuação brasileira em telegrama ao General Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB.


Indicando para frente o General Mark Clark, e de óculos, o General Mascarenhas de Moraes.


Com a proximidade do inverno, o Alto Comando Aliado determinou que as cidades de Ravena e Bolonha, deveriam ser atacadas e capturadas antes do natal. Essa decisão estratégica resultou na definição da próxima região de operações da FEB, que deveria progredir na direção de Castelnuovo di Garfagnana, e assim, conduzindo o esforço principal ao longo do Vale do Rio Serchio.


O soldado brasileiro se mostrou bem treinado nesse início de campanha, superando as dificuldades e realizando suas missões, mas o que eles iriam enfrentar naquele natal de 1944, marcaria para sempre a história da FEB.


Os artigos publicados são de inteira responsabilidade de seu autor. As possíveis opiniões aqui emitidas não correspondem necessariamente àquelas do site.

 

Por José Neto

Estudante de Licenciatura em História pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP), e também faz Tecnologia em Gestão Pública na UNINOVE, é um paulista com um pé no interior do estado, e outro na cidade grande. Escreve sobre História militar e História do Brasil.

 

Fontes:

"A FEB por um soldado", Joaquim Xavier da Silveira

"Quebra-Canela", General Raul da Cruz Lima Júnior

"A FEB pelo seu comandante", Marechal J. B. Mascarenhas de Moraes

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