Reconectar as correntes do tempo

Atualizado: 23 de mar. de 2021





Em 1814, o rei Luís XVIII retornava ao poder na França depois de quase 25 anos de guerra ininterrupta na Europa, fruto da Revolução iniciada em 1789. O país sobre o qual reinaria era agora um reino dividido entre aqueles que queriam retornar ao Antigo Regime e aqueles que gostariam de manter o regime revolucionário.

Luís XVIII percebeu a situação em que se encontrava como governante. Sabia que um povo sem consenso sobre seu próprio passado e, portanto, sobre o que representava ser francês, não poderia ter estabilidade e paz. Famosas ficaram duas declarações suas: a de que não reinaria “sobre dois povos”, mas, mais importante, a de que gostaria de “reconectar as correntes do tempo” na França, unificando os pró e contrarrevolucionários.



O rei Luís XVIII


“Reconectar as correntes do tempo”. Essa proposta do rei francês também se faz presente no século atual e no Brasil. Não pelas divisões de uma revolução política, mas pelas mudanças aceleradas na técnica e nas relações sociais, em suma, pelos frutos da sempre crescente revolução industrial.

Qualquer um que pare para refletir é capaz de perceber as diferenças gritantes entre o ontem e o hoje. Há 15 anos não tínhamos smartphones popularizados, desktops ou laptops pessoais e toda uma sorte de tecnologias, aplicativos etc. Tudo isso tem transformado a vivência humana, trazido mais conforto e criado novos problemas. É inequívoco, contudo, que nesse processo o passado nos parece cada vez mais obsoleto, distante e incapaz de nos ensinar concretamente qualquer coisa para nossa vida prática ou orientação nos tempos modernos.

Isso constitui-se em mais uma crise da história como disciplina, mas também numa crise de proporções ainda desconhecidas para o convívio social, para as relações entre as gerações, para a cultura política e mesmo para as relações de trabalho. O desconhecimento do passado, somado ao fim das sociabilidades tradicionais responsáveis por passar as tradições adiante, dificulta a criação do sentimento de pertencimento à comunidade; não dá elementos para a constituição da identidade individual; não fornece elementos de orientação para as relações entre os indivíduos em ampla escala; impede um o desenvolvimento de abstrações de longo prazo, de profundidade espaço-temporal; finalmente, impede a compreensão da finitude da existência, incapacitando as pessoas para lidar com as mudanças inexoráveis que certamente se abaterão sobre os sistemas em vigor, sejam eles quais forem.

O objetivo desse blog e desse site é auxiliar no processo, como pretendia Luís XVIII, de reconectar as correntes do tempo. Pretende-se isso fornecendo conhecimento histórico para que se compreendam as realidade sociais existentes de modo que “navegar” pelas ondas das mudanças e do mundo moderno seja uma tarefa mais fácil.

Vamos então, reconectar o tempo?

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