“Sigam-me os que forem brasileiros!”

Quando lembramos da Guerra do Paraguai (1864-1870), fica difícil não vir à mente a figura do Duque de Caxias, o Comandante-Chefe das Forças do Império em operações contra o Paraguai. Nesse texto, vamos relembrar a importância desse general no maior conflito da América Latina.


Quando o ainda Marquês chegou ao acampamento de Tuiuti no dia 18 de novembro de 1866, a situação era crítica, a ociosidade fez com que o exército perdesse suas virtudes militares, se apegando aos vícios, e principalmente aos comerciantes e mulheres que acompanhavam os soldados. Faltava o básico como água limpa, os soldados estavam mal fardados, os cavalos morriam desnutridos e doentes, e, pior, a cólera se espalhava entre a soldadesca.


Quartel-General brasileiro em Tuiuti.


Caxias nesta fase da campanha revelou ao máximo sua capacidade organizadora, preferindo o máximo de preparação para vencer no mínimo de tempo. Improvisou hospitais de campanha, determinou o rápido fornecimento de remédio, de material cirúrgico e de aparelhos para a filtragem de água.


O Marquês exerceu várias atividades, marcou revistas, intensificou a instrução, fiscalizou pessoalmente todos os exercícios. Percorreu a cavalo todos os acampamentos, examinando a higiene, o asseio e a disciplina, e dirigiu em pessoa a instrução de vários corpos.


Verifica-se do “Diário de Operações” que Caxias, num dia pela manhã, dirigiu o exercício de um batalhão, à tarde, o de uma brigada formada de três batalhões. No dia seguinte, ele passou em revista toda a cavalaria do Exército. E no terceiro dia, assistiu ao exercício geral da artilharia. O organizador fez de tudo, não descansa, foi rigoroso nas suas observações. Por meio das Ordens do Dia é possível notar que o Marquês não descansou e não deu tempo ao Exército para retornar à inatividade antiga.


Enfermaria militar em Tuiu-Cuê.


Ele também determinou novas regras de instrução e até de tática, impostas pelas realidades da campanha e sua áspera experiência, modificou o sistema da infantaria, deu nova organização a certas unidades, de acordo com as exigências da guerra, baixou instruções sobre a polícia dos acampamentos, reorganiza o corpo de voluntários, etc.


Conseguimos notar que o Exército nas mãos de Caxias se tornou uma força capaz de vencer o conflito devido ao preparo e às adaptações realizadas pelo militar, muito experiente nos assuntos bélicos. Com essas reformas, o General brasileiro guiou suas tropas até Assunção entre 1868 e 1869, realizando importantes façanhas como a travessia de Humaitá e levando o Império ao limiar da vitória total.


Casa do General-Chefe Caxias em Tuiu-Cuê.


O Marquês, contudo, regressou ao Rio de Janeiro antes que o conflito terminasse com a captura e morte de Solano Lopez. Caxias, depois de capturada a capital inimiga, não via sentido em continuar a guerra. À discordância com as ordens vindas da Corte imperial, somava-se sua debilitada saúde e idade avançada. Quando partiu do Paraguai, Caxias havia transformado o Exército e, graças a ele, foi possível vencer o inimigo guarani.


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Por José Neto


Estudante de Licenciatura em História pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP), e também faz Tecnologia em Gestão Pública na UNINOVE, é um paulista com um pé no interior do estado, e outro na cidade grande. Escreve sobre História militar e História do Brasil.

 

Fontes:

"Caxias", Affonso de Carvalho

"Vilagran Cabrita, e a Engenharia de seu tempo", General A. de Lyra Tavares

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